A Última Noite dos Deuses – A Despedida de Ozzy e do Black Sabbath
By: Alyson Garcia Alves
Vocalista: As The Palaces Burn
Na noite de 5 de julho de 2025, o palco não foi apenas cenário de um espetáculo — foi altar de uma despedida sagrada. Ozzy Osbourne, o eterno Príncipe das Trevas, fez seu adeus definitivo aos palcos. Ao seu lado, o Black Sabbath, a banda que redefiniu a música pesada e deu origem ao metal como o conhecemos, selou o fim de sua trajetória lendária.
Em Birmingham, sua terra natal, a história deu sua última volta completa. Os quatro integrantes originais — Ozzy, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward — tocaram juntos pela primeira vez desde 2005, encerrando a jornada que começou em 1968, quando o mundo ainda não estava pronto para o som sombrio e visceral que estavam prestes a liberar.
Ao longo de sua extensa e transformadora trajetória, o Black Sabbath foi muito além de sua formação original com Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward. Embora esses quatro nomes tenham acendido a chama inicial do heavy metal, muitos outros músicos contribuíram para manter o fogo aceso nas diferentes fases da banda.

Entre os vocalistas que assumiram os microfones do Sabbath, destacam-se Ronnie James Dio, cuja voz poderosa redefiniu a banda nos anos 1980, Ian Gillan, que deixou sua marca com o álbum Born Again, Glenn Hughes, com seu estilo soul e visceral, e Tony Martin, que liderou algumas das fases mais subestimadas e melódicas do grupo. Também fizeram parte dessa história, em períodos mais curtos, Dave Walker, Ray Gillen, David Donato e Ron Keel, todos contribuindo para manter viva a força criativa da banda, mesmo diante de instabilidades.
Nas baquetas, além de Bill Ward, passaram nomes como Vinny Appice, presença constante nas fases com Dio; Bev Bevan, vindo da Electric Light Orchestra, que assumiu em tempos turbulentos; Eric Singer, antes de ingressar no KISS; Bobby Rondinelli e Terry Chimes, ex-The Clash, todos eles sustentando a base rítmica com competência em diferentes momentos.

Nos teclados, Geoff Nicholls foi peça fundamental, acompanhando o Sabbath por décadas, mesmo nos bastidores, ajudando a construir atmosferas densas e sombrias. Também participaram, em momentos distintos, Rick Wakeman (em participação especial) e Adam Wakeman, que integrou a equipe de apoio ao vivo.
Enquanto Ozzy escrevia sua própria história fora da banda — também grandiosa, com clássicos como “Bark at the Moon”, “No More Tears” e “Crazy Train” — criando seu próprio império musical.

Black Sabbath – Os Arquitetos do Som Sombrio
O Black Sabbath não foi apenas uma banda. Foi uma revolução sonora e cultural. Criaram uma linguagem musical — sombria, densa, existencial — que deu voz às inquietações de gerações. Suas guitarras distorcidas, riffs poderosos e letras intensas que inspiraram o nascimento de todos os subgêneros do metal.
A última apresentação aconteceu durante o festival “Back to the Beginning”, uma celebração histórica com participações de Metallica, Guns N’ Roses, Slayer, Tool, Gojira, Anthrax, Pantera, Lamb Of God, Halestorm e Mastodon. Um supergrupo comandado por Tom Morello, com Billy Corgan, David Ellefson e outros, prestou homenagem.
Ozzy – A Última Chama do Caos
Ozzy não está morto. Mas, ao encerrar sua carreira no palco, algo ancestral se despediu com ele. Sentado em seu trono de morcego, ele entregou suas últimas palavras em forma de música. Mesmo limitado pela saúde, sua alma continuava lá de forma intacta. Sua voz, cansada, carregava todo o peso de umas das vozes mais simbólicas do metal. E assim, com lágrimas, aplausos e corações acelerados, o último profeta do rock se retirou sob as luzes que ajudou a acender.
Eles não procuraram ser heróis. Foram lendas naturais. Sobreviveram a décadas de caos, vícios, mudanças, e ainda assim mantiveram viva a essência mais crua e verdadeira do rock.
Neste adeus, não se foi apenas um cantor ou uma banda. Foi-se um ciclo. Uma era. Uma religião sonora.
E nós, seus órfãos, agradecemos a trilha que deixaram em nossos ouvidos e corações.

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