Cannabis medicinal ganha espaço, mas desinformação ainda trava acesso ao tratamento
Dino Cardoso recebeu Flávia Rigo, farmacêutica, pesquisadora e professora da Unesc, no Hora Gourmet. Eles discutiram os avanços e os entraves no uso medicinal da cannabis no Brasil.
Flávia destacou o trabalho do laboratório de pesquisas da universidade, que estuda o uso terapêutico de plantas e prepara um levantamento com mais de mil moradores do sul de Santa Catarina para mapear a percepção pública e combater o preconceito em relação ao tema.
A pesquisadora ressaltou que a ignorância e a desinformação ainda constituem as principais barreiras para a democratização desse tipo de tratamento, embora o cenário atual venha demonstrando uma diminuição gradual da resistência popular.
Na pauta científica, a especialista detalhou que a cannabis sativa possui mais de 600 constituintes, incluindo o canabidiol e o THC, esclarecendo que as aplicações medicinais utilizam formulações e dosagens que não provocam o efeito psicoativo do uso recreativo.
A cientista relembrou o histórico da regulação no país, apontando que o ano de 2026 marcou um momento decisivo para a Anvisa ao ampliar o acesso e simplificar a comercialização de produtos à base do vegetal nas farmácias.
Flávia também sublinhou que a liberação para testes mais abrangentes vem preenchendo uma lacuna de quase um século de proibição, período em que a planta havia sido retirada das farmácias e da farmacopeia brasileira.
O diálogo ainda abordou a amplitude terapêutica dos canabinoides e os mitos que ainda cercam a planta. A professora reforçou que evidências científicas comprovam a eficácia de tratamentos para dor crônica, esclerose múltipla, autismo, Parkinson, sintomas de quimioterapia e epilepsia grave, além de rebater a ideia de que a cannabis destruiria neurônios, explicando que seus componentes atuam na neuroproteção.
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