Paul Mccartney no Maracanã

Paul Mccartney no Maracanã

No Rio de Janeiro, sábado, 16 de dezembro de 2023, o ex-Beatle Paul Mccartney fez o seu 36° show no Brasil desde a sua primeira passagem, em abril de 1990, exatamente no mesmo estádio em que fechou a Got Back Tour: o Maracanã.

Talvez , por esse motivo, ao longo da última semana ventilou-se a possibilidade de que Mccartney pudesse anunciar sua aposentadoria e o show seria última apresentação da carreira, contando com a participação de outro ex-Beatle: Ringo Starr.
No site oficial do cantor não há novas datas de show previstas para o ano que vem.

Outro ponto que contribuiu com o rumor foi o fato das filhas de Paul, Stella e Mary McCartney, terem viajado ao Brasil para prestigiar o último show do pai neste ano. Assim como sua mulher, Nancy Shevell.

Esse seria um momento histórico para os fãs brasileiros e em especial para os presentes no Maracanã, mas não passou de mais um boato de internet em torno da magia que envolve os Beatles.

Ao longo do show ficou evidente que não teriamos uma aposentadoria de Paul e muito menos a participação de Ringo.

Entramos no estádio às 17h45 e aguardamos mais de 3h para o início do espetáculo marcado para as 21h. Todos sentados no gramado do templo do futebol mundial. Às 20h rolou o esquenta com músicas dos Beatles, assumido pelo Dj Chris Holmes, homenageando também Rita Lee, dona da versão brasileira de In my life.

Das 20h30 até a hora do show, nos telões laterais do palco passavam, de forma cronológica, os primeiros registros fotográficos do Fab Four, relembrando inúmeras fases do quarteto até a fase solo do astro da noite, chegando aos dias atuais de Sir Paul e fulminando com a imagem do seu clássico baixo Hofner e o apagar das luzes: Era o prenúncio de que o espetáculo iria começar!

Às 21h03, diante da plateia de 66 mil pessoas surge o simpático Paul Mccartney saudando o público presente antes de abrir com a clássica “Can’t buy me love”, acompanhada a plenos pulmões pelo Maracanã lotado. Ficou difícil até mesmo ouvir a banda tocar, já que o som não estava muito alto como costuma-se ouvir em um concerto de rock.

O show seguiu com “Junior’s Farm” e “Letting Go” do Wings. Paul ia intercalando musicas da sua fase Wings, fase solo e, claro, Beatles, que era o que o público sempre cantava junto – e ele sabia disso.

Sempre comunicativo entre as músicas, esforçando-se em falar em português, ia divertindo e animando a plateia.

Paul cantou, tocou o seu tradicional baixo Hofner, guitarra, piano, teclado, bandolim e ukulele.

Mccartney é um grande animador de plateias, garoto de 81 anos que aprendeu o ofício de entreter nos bares e pubs alemães em conjunto com a dura tarefa de chamar a atenção além do que as streapers faziam, no início da carreira do Beatles.

Sir Paul homenageou a esposa Nancy Shevell em “My Valentine”, assim como o colega John Lennon em “Here Today”, George Harrison em “Something” e Denny Laine, recentemente falecido guitarrista do Wings com “Jet”.

Os momentos mais especiais da noite sem dúvida estavam reservados mais para o final do show com a divertida “Ob-La-Di, Ob-La-Da” quando todos com balões em mãos, junto com a lanterna dos celulares gerou uma interação entre público e show.

O show segui com “Get Back”, “Let It Be” com o Maracanã cantando junto, “Live and Let Die” foi um show à parte com direito a fogo, papel picado, luzes alucinante e fogos de artifício digno de um clássico composto sob encomenda para o filme da franquia 007 e imortalizado também com o Guns N’ Roses.

Fechando o show, antes do tradicional bis, veio “Hey Jude” com todos cantando e interagindo novamente com os cartazes de “Na Na”, assim como os balões distribuídos pela produção do show na entrada do Maracanã.

Se o show se encerrasse ali todos já se dariam por satisfeitos, mas tinha o bis generoso de Paul com “I’ve Got a Feeling” com um dueto virtual com John Lennon. Na sequência “Birthday”, “Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, “Helter Skelter” que muitos sempre citam como um embrião do gênero Heavy Metal, “Golden Slumbers”, “Carry That Weight” e fechando o show às 23h35 com “The End”.

Paul Mccartney não encerrou a carreira no Maracanã, encerrou dizendo que era “hora de vazar”, soltou um “fui”, e mandou um “até a próxima”.

Ficaram muitos clássicos dos Beatles fora do setlist, mas Paul Mccartney conseguiu montar um show que agradasse a todos. já os músicos que o acompanham a mais de 20 anos, o que roubava a cenaera o baterista Abe Laboriel Jr., que com seu carisma, seus trejeitos cheios de caras e bocas e suas danças a lá TikTok recebia uma atenção a parte da equipe de Paul que sempre aproveitava para mostrar o músico no telão se divertindo e divertindo o público.

O colunista do jornal O Glogo, Silvio Essinger, definiu bem aquela noite: “O clima era de festinha de sábado, o som de festinha, não tão alta nem tão estridente.”

Além da dinâmica do show, público heterogêneo, diversas gerações e nacionalidades ali presente, predominava mesmo a nostalgia do que era o agora hoje inocente anos 60 e suas festas.

Por mais diversas que fossem as gerações ali presente no Maracanã, tínhamos uma expressiva massa de pessoas com mais 70 anos que de um jeito ou de outro vivenciaram aquele espírito revolucionário dos anos 60 que mudou o mundo.

Nos anos 60 os Beatles comandavam a Invasão Britânica no rock, seguidos por The Rolling Stones, The Who, The Kinks e vários outros, foi nos 60 que surgiu a música de protesto, com Bob Dylan, Joan Baez, entre outros, já nos primeiros anos da década.

O Rock and Roll ganhava crescente popularidade no mundo, associando-se ao final da década à rebeldia política. No Brasil, naquela década o rock recebeu o nome de iê-iê-iê, uma livre tradução do refrão da música She Loves You, dos Beatles: “She Loves You, Yeah, Yeah, Yeah!” com o movimento Jovem Guarda.

No final dos anos 60 o movimento hippie chegava ao auge em 1969 com o Festival de Woodstock, nos Estados Unidos e no mesmo ano o homem chegou a lua. Personalidades como Martin Luther King Jr. surgiram nessa época também. Definitivamente os anos 60 marcaram o mundo e influenciaram toda a década 70 também.

Todos esses elementos ajudam a explicar a força das músicas dos Beatles que estão impregnadas no inconsciente popular.

Até a próxima, Paul Mccartney!

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