O surgimento do Rock e sua evolução para o Progressivo – Parte 1

O surgimento do Rock e sua evolução para o Progressivo – Parte 1

Por Jacques Finster

Até o final do século XIX a religião tinha um imenso poder no Ocidente. As repressões contra os “pecados capitais” (corpo, sexo, violência, etc.), obviamente atingiam as artes. Porém, no final daquele século, vários movimentos de rompimentos se iniciaram.

Freud, com a sua psicanálise, teorizava que era fundamental uma vida  sexual para a saúde mental, as lutas de boxe foram oficializadas, fisiculturistas começavam a se exibir em teatros seus corpos cobertos somente com tangas. No início do século XX, os ritmos dos afro-descendentes começaram a invadir as músicas populares nas Américas, erotizando a cultura, já que os africanos não eram submetidos aos valores Judaico-Cristãos. O Samba, Salsa, Jazz das décadas de 20 e 30 eram muito dançantes. Hollywood criara o “Star System” onde a beleza física, charme, passaram a ser também quesitos apreciados em artistas quando antes era só o artesanato artístico que importava.

A epítome disso foi a explosão do Rock and Roll quando topetes, calças Jeans, carros abertos, danças espasmódicas e biquínis, enlouqueceram aquela geração. Pela primeira vez os cantores gritavam, as costas iam para os  assoalhos nos bailinhos, a visceralidade, alegria, rebeldia….tudo que era considerado “mau comportamento ” caia por terra. Foi mais uma grande explosão dos valores, mudanças comportamentais, estéticas e sociais, pois a música era bem simplória, inocente e repetitiva. 

 A  Evolução para o Progressivo.

Por volta de 1965, os ventos começaram a mudar. A descoberta dos efeitos alucinógenos do LSD fez com que amantes do barato promovessem uma festa em San Francisco em 8 de janeiro de 1966. Duzentas pessoas compareceram e 3 meses depois eram 10 mil. Os efeitos da confusão cerebral fez com que conteúdos inconscientes emergissem e paradigmas culturais fossem questionados: “Por que as portas das casas  não podem ser redondas?” Surgem as calças com listras, os cabelos longos e black power, a aproximação com o misticismo ocidental e oriental, meditação, vegetarianismo e amor livre.

O psicólogo Stanislav Grof fazia uso do LSD para tratar as neuroses, pois segundo suas teses, essa confusão cerebral tirava o paciente de círculos viciosos de pensamento. O filósofo e psicólogo social Erich Fromm, teorizava que existiam 3 tipos de sociedades: a “Idealista”, cujo maior exemplo era a Índia antiga, onde os valores espirituais ocupavam toda a atenção e se vivia sem as estruturas de conforto. A “Sensual-Materialista”, onde o conforto e os prazeres sensuais são a tônica (almejada no Brasil), e a “Ideacional”, que funde os dois mundos, cujos os maiores exemplos são a Grécia clássica e o renascimento europeu do século XVI.

O “Movimento Hippie” foi um “Movimento Idealista” dentro de um Ocidente “Sensual Materialista”, “Mental-Organizativo”. Claro que a música pop iria reagir e então jovens britânicos oriundos das classes abastadas e que eram super instruídos em castelos e palácios, conservatórios e escolas de artes, começaram a fazer músicas complexas, transcendentais, letras eruditas e místicas, virtuosismo instrumental, orquestras suntuosas, peças longas, produções visuais sofisticadas.

O contraste era imenso com a geração anterior com temática festiva, sensualidade, visceralidade, liberdade, porém, tudo feito de uma maneira muito básica. Os dois movimentos são imperfeitos pois aprecio energia visceral, dança e festa assim como o lirismo, a viagem e erudição que são complementares e não excludentes.  O progressivo virou excessivo, pois a mídia, crítica jornalística e sociedade ridicularizavam quem fizesse algo festivo, dançante, romântico. Os artistas precisavam ser profundos, complexos e “viajão” o tempo todo. E isso em tudo, o cinema de entretenimento praticamente desapareceu nesse período, dando espaço para filmes “Cabeça’ e niilistas como “Sem Destino”, “Laranja Mecânica” e etc….

Na segunda parte, abordaremos o fim do movimento progressivo.

Sobre o autor:

Jacques Finster iniciou sua carreira musical aos três anos de idade, cantando na rádio no programa do saudoso Clésio Búrigo. Teve várias bandas, trabalhos solo, lecionou e produziu eventos culturais. Teve um programa de variedades na Net e foi colunista do jornal “A Tribuna”. 

Confira seu trabalho solo “My World” em youtube.com/@jacquesfinster6212

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