Bjork: 30 anos de carreira da última revolução da música pop

Bjork: 30 anos de carreira da última revolução da música pop

Por Jacques Finster

Duas condutas das massas em relação à cultura sempre me pareceram extremamente estúpidas. Durante décadas, a atenção pelo “novo” e “moderno”, desqualificando tudo o que havia sido realizado, deu a tônica do comportamento de “manada”, fazendo as pessoas jogarem nas lixeiras coleções de discos, carros, casas e por aí vai.

Porém, a partir da década de 1990, especialmente no rock, instalou-se a modinha do retrô ou vintage. Para você atuar no mercado dos bares com esse estilo, você tinha de seguir a mesma linha, com equipamentos com aparência dos modelos antigos e soar como as bandas dos anos 60 e 70, senão estava fora do mercado.

Minha posição é a seguinte: Tudo o que foi feito com bom gosto, sempre será apreciado e valorizado, mas como artista, não vejo sentido em fazer o que já  existe.

Em 1993, Bjork já era uma jovem veterana tendo atuado em muitas bandas, porém sua estréia foi avassaladora. Seus conceitos visuais inovadores no estilo e ambientação e seu artesanato sonoro com coisas nunca ouvidas e desenvolvidas pelo cruzamento de novas e antigas tecnologias e tecnologias, se mostrou promissor e não decepcionou. Como era muito bonita e exótica, com uma voz única e genialidade artística, além de carismática, Bjork foi insistentemente assediada por produtores, e gravadoras para se tornar mais uma pop star de plástico para que pudessem faturar em cima, mas ela se manteve firme em sua visão e ideais. Ela veio a provar que a música poderia continuar em evolução trazendo novas linguagens tão poderosas quanto as antigas. Porém, ao contrário do passado onde se tinha vários artistas criativos,  ela se manteve sozinha nisso, sendo que a maioria segue apresentando música recauchutadas, homogêneas e medíocres.

Meu grande apreço por ela tem suas reservas, pois seu estilo artístico atende somente minha faceta mais atmosférica, minimalista, surrealista e intimista deixando de atender meu lado mais enérgico, pois gosto também de “pirar” com instrumentais, solos e improvisações.

Sendo uma artista multimídia, Bjork desenvolveu vídeos revolucionários, cenários, roupas, imagens, instrumentos exóticos e inovadores, buscando literalmente criar um novo mundo sem se acomodar. Já vendeu mais de 50 milhões de discos, que é um número absurdo para alguém que não faz música festiva e dançante.

Para meu gosto, seu auge criativo em termos de música se dá nesse trabalho. um álbum genial com sonoridades nunca ouvidas e composições de uma beleza e espiritualidade estonteantes. E o que dizer de “Undo”, “Pagan Poetry”, “Aurora”…

Esse vídeo exibe os instrumentos desenvolvidos em seu álbum de 2011 “Bhophilia”:

Uma das características comuns em artistas muito sensíveis e criativos é sua inadequação ao mundo e a busca por evasão. Nesse vídeo fica clara a vontade da artista em criar o sublime em meio a esse mundo rasteiro:

Dando continuidade em buscar criar o “paraíso” dentro do “Inferno”, nossa heroína genial prossegue em sua busca incansável, porém solitária o que é uma pena:

Para encerrar, imagens de seus mais recentes shows. Uma “artista total ” em busca do sublime, recriando o mundo e a vida. Solitária em seus ideais e seu comprometimento moral, Bjork é a triste constatação de que o “verdadeiro artista” é uma espécie em extinção. Pensar mundos mágicos, sublimes, belos, poéticos, tornar a vida algo maior com sensações e emoções além dos padrões estabelecidos por mentes pequenas, mercenárias, brutas e sem ideais é exceção. Estou fechado com ela:

https://www.youtube.com/watch?v=ru8YjxqOy_0

Sobre o autor:

Jacques Finster iniciou sua carreira musical aos três anos de idade, cantando na rádio no programa do saudoso Clésio Búrigo. Teve várias bandas, trabalhos solo, lecionou e produziu eventos culturais. Teve um programa de variedades na Net e foi colunista do jornal “A Tribuna”. 

Confira seu trabalho solo “My World” em youtube.com/@jacquesfinster6212

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