APÓS 8 ANOS OS MONSTROS DO ROCK ATERRISARAM NO BRASIL E A 92 ESTAVA LÁ

APÓS 8 ANOS OS MONSTROS DO ROCK ATERRISARAM NO BRASIL E A 92 ESTAVA LÁ

Aconteceu no último sábado, em 22/04/2023, no Allianz Parque em São Paulo, a 7ª edição do Monsters of Rock. E como não poderia ser diferente, a 92fm estava lá pra conferir esse evento histórico.

Na sua 1ª edição no Brasil, em 1994, o Monsters já mostrava a sua grandeza trazendo nomes como Kiss, Black Sabbath, Slayer, Suicidal Tendencies, Viper, Angra, Dr. Sin e Raimundos. Desde então passaram pelas várias edições do festival lendas como Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Aerosmith, Megadeth, Faith No More, Whitesnake, Judas Priest e Dream Theater.

A expectativa para sábado era enorme por duas razões. A primeira pela escolha do line-up de peso (Kiss, Scorpions, Deep Purple, Helloween, Candlemass, Symphony X e Doro). A segunda razão envolvia a organização como um todo. Um evento desse porte e com o enorme público esperado requer uma gestão técnica e logística gigantesca.

Ao chegar no local do evento, por volta de 11h, já se via um grande movimento nos arredores do Allianz Parque. Tudo fluía muito bem devido às múltiplas entradas para os diferentes setores do festival. O tempo, com temperaturas amenas e céu azul, ajudou demais para que nada pudesse estragar o histórico dia.

Ao entrar na Arena, tudo extremamente bem sinalizado e uma infinidade de vendedores ambulantes por todos os setores, o que amenizava muito as indesejáveis filas para compra de bebida e comida. E como aguentar 12 horas de festival não é para qualquer um, a organização destinou duas áreas de descanso para quem estava no setor em pé.

Pontualmente às 11h30, a alemã Doro Pesch, conhecida como a Rainha do Metal, subia ao palco e tinha e enorme responsabilidade de dar início a festa. O set incluiu em sua maioria clássicos da sua ex-banda Warlock e algumas de sua carreira solo. O público apesar de ainda pequeno cantou em alto e bom som o refrão de “All We Are”, conhecidíssimo hit dos anos oitenta. Aos 58 anos, Doro deu uma aula de vitalidade e carisma e foi dada a largada para o dia que estava só começando.

Antes de subir ao palco, os americanos representantes do metal progressivo Symphony X se depararam com alguns problemas técnicos. Seguindo o rigor do horário, a partir de 12h30 o show teve início e infelizmente ao longo de toda a apresentação as falhas persistiram. A guitarra de Michael Romeo em alguns momentos não estava audível e o vocalista Russell Allen estava nitidamente irritado com os problemas técnicos enfrentados. Apesar dos contratempos e do set list reduzido, o quinteto americano mostrou do que é capaz. O show foi basicamente focado no último álbum da banda “Underworld”, no excelente “Paradise Lost” e em uma música do maior clássico da banda “The Divine Wings of Tragedy”. Fica aqui a dica para que o leitor ouça com atenção esta que talvez seja a banda mais “underrated” do gênero, onde Allen e Romeo estão indiscutivelmente entre os melhores no que fazem.

Escalados para substituir os britânicos do Saxon que acabaram cancelando a sua participação no evento, o Candlemass foi anunciado pelos promotores e fez muitos torcerem o nariz para a escolha. Representantes do estilo conhecido como “Doom Metal”, os suecos trazem um som mais arrastado, que muito se assemelha aos primórdios do Black Sabbath. Passados os 40 anos de vida desse que vos escreve e com mais de 09 horas de festival pela frente, tive que abrir mão do Candlemass e adotar a “área de descanso” para aguentar a maratona. Apesar de praticamente não ter assistido a apresentação que, seguindo o rigor do festival teve início às 13h30, ficou evidente que o líder e baixista da banda Leif Edling e seus pares fizeram um show onde muitos daqueles que citei no início do parágrafo foram obrigados a destorcer o nariz e aplaudir.

Energias renovadas, chegou a hora deles que, para muitos, são os criadores do “Power Metal”. A atual formação conta com os três vocalistas principais da história da banda: Kai Hansen, Michael Kiske e Andi Deris. Apesar de Deris ter assumido os vocais da maioria dos álbuns da banda, é na voz de Kiske que os grandes clássicos do Helloween foram imortalizados. Preferências a parte, todos eles tem uma relevância enorme pro legado e vê-los juntos no palco é uma experiência que todo fã de heavy metal deveria ter. Apesar de também contar com um set list reduzido e com a pequena falha técnica que não permitiu que a cortina caísse no início do show, os alemães tiveram uma atuação impecável e levantaram o público com grandes clássicos como Dr. Stein, Eagle Fly Free, Power, Future World e I Want Out.

Formado no final dos anos 60, o Deep Purple é certamente uma das bandas de maior relevância e influência da história do rock e metal. E coube a esses senhores a tarefa de fazer o show que antecederia as duas principais atrações da noite. A abertura do show contou com o clássico “Highway Star” e aqui ficou claro que, naturalmente, Ian Gillan com os seus 77 anos de idade já não tem mais a mesma potência de outrora. Mas ao longo do show ficou ainda mais claro que o Purple ainda tem muita lenha pra queimar com belas execuções de clássicos como Pictures of Home, Lazy, Perfect Strangers, Space Truckin’ e Smoke on the Water. Destaques para o carismático Don Airey que foi ovacionado com um belíssimo solo de teclado trazendo referências de “Aquarela do Brasil” e “Brasileirinho” e para Simon McBride que teve a ingrata tarefa de substituir o lendário Steve Morse nas guitarras mas que conquistou em cheio os que estavam presentes.

Chegou a hora das duas principais atrações do dia e antes do reinício novamente a área de descanso foi acessada pois já se passavam sete horas de festival e ainda tínhamos pela frente mais cinco horas pois os shows que viriam seriam com set lists completos. A Alemanha teve forte participação nessa edição do Monsters e chegou a vez dos germânicos do Scorpions fazerem a sua apresentação. Com um set list variado entre músicas mais recentes e clássicos dos anos 70 e 80, Klaus Meine e Cia., a exemplo dos setentões do Deep Purple, deixaram claro que a hora de parar ainda não chegou. Apesar da mobilidade reduzida, nos autos dos seus 74 anos Meine cantou brilhantemente clássicos como Wind of Change, Blackout, Big City Nights, Still Loving You e Rock You Like a Hurricane.

Já perdemos as contas de quantas despedidas os americanos do Kiss anunciaram. E após a apresentação de sábado, esperamos que muitas delas ainda estejam por vir. Pouco antes das 21h, “Rock n Roll”, clássico do Led Zeppellin, tocava alto nas caixas de som do Allianz Parque, o que anunciava que o show estava pra começar. E tudo o que o público podia esperar de um “último” show do Kiss ele efetivamente recebeu. Luzes e efeitos visuais, palcos suspensos, tirolesa, fogos, chuva de papel picado, etc.! Todo esse cenário recheado com os maiores clássicos da carreira da banda: Detroit Rock City, Shout it Out Loud, I Love it Loud, Love Gun, Do You Love Me, Rock n Roll All Night, entre tantos outros.

50 mil pessoas das mais variadas gerações, 07 gigantes do rock e heavy metal e 12 horas de duração. Números impressionantes que provam por si só que o Rock continua firme e forte. Muitas coisas podem dar errado em um evento desse porte, mas a organização pensou e cuidou de absolutamente tudo. Nível de festival de primeiro mundo. O hiato entre a 6ª e a 7ª edição do Monsters foi de 08 anos. A boa notícia é que já no ano que vem, em 2024, o festival faz 30 anos desde a primeira edição no Brasil e, conforme já anunciado, tem tudo pra emplacar a 8ª edição do Monsters e entrar no nosso calendário frequente de grandes festivais.

Editorial 92fm
Fotos: https://mercuryconcerts.com/shows-anteriores/2023/monstersofrock/

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