Referendo na Itália: o voto dos ítalo-brasileiros pode decidir o futuro da cidadania
Dino Cardoso, Ale Koga e Igor Fontana receberam Soraia Casagrande Grassi, professora de italiano e especialista em cidadania italiana, no 100 OFENSAS. Ela alertou para uma mobilização urgente voltada aos descendentes que possuem dupla nacionalidade.
O foco é o próximo referendo confirmatório, que consulta a população sobre mudanças na Constituição da Itália. Segundo Soraia, o governo italiano vem implementando barreiras severas, como a suspensão da cidadania por via administrativa em consulados, restando atualmente apenas a via judicial para muitos casos.
A especialista argumenta que a proposta atual visa reduzir a independência do Judiciário, submetendo o reconhecimento do direito de sangue a decisões políticas, o que poderia inviabilizar processos de bisnetos em diante.
A professora enfatizou que o recebimento do envelope de votação em casa não deve ser ignorado pelos cidadãos ítalo-brasileiros. Soraia defende o voto no “Não“ como uma forma de protesto contra as restrições impostas pelo atual governo e para garantir que a lei permaneça como está.
Ela destaca um ponto crítico: a abstenção pode ser interpretada pelas autoridades italianas como desinteresse do cidadão pela sua ligação com a Itália, o que, no limite, poderia abrir precedentes para o cancelamento de cidadanias já reconhecidas.
Para a convidada, a cidadania vai além do passaporte; é uma riqueza cultural que a Itália corre o risco de perder ao se fechar para seus descendentes. Ela criticou a visão de parte da classe política italiana que ignora a importância da comunidade imigrante e reiterou que a mobilização é essencial para proteger um direito histórico.
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