Central do Recomeço: Criciúma cria novo modelo de acolhimento para pessoas em situação de rua
Para promover a reinserção social de pessoas em situação de rua, a Prefeitura de Criciúma planeja a criação da Central do Recomeço, um grande complexo voltado ao atendimento integrado nas áreas de Assistência Social e Saúde. Para viabilizar o projeto, foi encaminhado à Câmara de Vereadores um Projeto de Lei que autoriza a aquisição de um terreno em área rural no bairro Capão Bonito, distante de regiões residenciais densamente povoadas. A proposta é reformar e ampliar a estrutura existente, possibilitando a oferta de diversos serviços. O novo equipamento substituirá o modelo atual, indo além do simples pernoite, com um espaço moderno, amplo e organizado.
Segundo o prefeito Vagner Espindola, a iniciativa representa um avanço significativo na política pública municipal. Ele destaca que o novo modelo supera o acolhimento emergencial ao garantir continuidade no cuidado, com dignidade, organização e oportunidades concretas para que as pessoas reconstruam suas trajetórias. A proposta integra assistência social, saúde mental e capacitação profissional, assegurando suporte para que os acolhidos retomem sua autonomia e não retornem às ruas.
A área destinada ao complexo possui cerca de 2,1 hectares e foi escolhida para permitir um atendimento digno e humanizado, com fluxos organizados, separação adequada de perfis, monitoramento constante dos casos e segurança para usuários, trabalhadores e comunidade. O projeto é fundamentado na integração entre políticas públicas de assistência social, saúde e empregabilidade, priorizando o atendimento integral e a superação da vulnerabilidade socioeconômica.
O plano também contempla a transferência dos serviços do CAPS AD e da Casa de Passagem, atualmente no bairro Pinheirinho, para o novo espaço, garantindo melhores condições de atendimento, maior organização urbana e mais segurança. Para a secretária municipal de Assistência Social, Dudi Sônego, a Central do Recomeço foi concebida para oferecer acolhimento responsável e estruturado.
De acordo com a secretária, o local será destinado a pessoas que já passaram por tratamento em clínicas, encontram-se desintoxicadas e prontas para avançar na reinserção social. O foco estará no acolhimento, atendimento especializado, capacitação, atividades laborais e encaminhamento ao mercado de trabalho, em articulação com a Central de Empregos e instituições parceiras.
O complexo oferecerá pernoite nos moldes da Casa de Passagem, com capacidade para até 40 pessoas e permanência de até três meses, conforme cada caso, com o objetivo de evitar o retorno às ruas.
Como ação complementar, o município mantém articulação com clínicas especializadas para internações voluntárias e involuntárias, quando houver indicação técnica e legal, especialmente em situações de risco. Essas internações fazem parte da linha de cuidado em saúde mental, com acompanhamento do poder público e foco no tratamento, recuperação e posterior reinserção social.
Para o secretário municipal de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, a Central do Recomeço consolida uma resposta construída de forma integrada entre diferentes secretarias. Ele ressalta que a atuação conjunta entre saúde, assistência social e outras áreas gera resultados mais eficazes, lembrando que mais de 450 pessoas já foram acolhidas em clínicas credenciadas. O novo passo garante continuidade no cuidado e oportunidades reais após o tratamento.
O espaço também contará com atendimento ampliado em saúde mental, com a integração dos serviços do CAPS AD e uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras. Essa estrutura assegura acompanhamento contínuo, tanto na área da saúde quanto na preparação para o mercado de trabalho, fortalecendo o processo de recuperação e prevenindo recaídas.
Um dos grandes diferenciais do projeto é o investimento em qualificação profissional, empregabilidade e reinserção social. Estão previstas parcerias com instituições de ensino, entidades sociais e empresas interessadas em capacitar e contratar os acolhidos, ampliando oportunidades, fortalecendo a autonomia e rompendo o ciclo de vulnerabilidade.





