Bandas muito influentes e pouco lembradas

Bandas muito influentes e pouco lembradas

Por Jacques Finster

Várias bandas e artistas com muito sucesso comercial, impacto e relevância artística, não ficaram para a posteridade. Nomes como Beatles, Stones, Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Kiss, Queen, ficaram eternizados, porém, muitas de suas influências ficaram esquecidas. Vamos analisar algumas na matéria de hoje:

Slade – Comercialmente o Slade foi um fenômeno no Reino Unido pois teve 17 singles no Top 20 entre 1971 e 1974. Seis desses singles ficaram em primeiro lugar e foram os primeiros a terem 3 vezes músicas no top 1 seguidamente. De acordo com o The Guinness Book of British Hit Singles and The Guinness Book of British Hit Albums, foi a banda mais bem sucedida do Reino Unido na década de 1970. O seu empresário Chas Chandler, que havia sido também de Jimmy Hendrix, insistiu para que se mudassem para os EUA pois a coisa não rolava por lá e em 1 ano de estadia, nada conseguiram. Após isso a banda começou a decair indo para o ostracismo. No Reading Festival de 1980 eles fizeram uma apresentação gloriosa mas pouco adiantou. Fizeram um relativo sucesso no início da década seguinte e a estreante banda Quiet Riot emplacou 2 sucessos deles na era MTV. 

Além do sucesso comercial, o Slade criou escola, pois em um período marcado pelo rock progressivo e fusões, eles tiveram a coragem de fazer um rock super festivo e que plantou as raízes para bandas como o Kiss, Van Halen, AC/DC e toda a cena “oitentista” de Los Angeles. É só ouvir seus refrões e perceber quem são os verdadeiros pais do “Rock de Arena”. 

   The Sweet – O The Sweet iniciou seus lançamentos em 1971 como uma “boy band” mas se rebelaram e começaram a fazer “sonzeira”. Com um baterista virtuoso, vocalizações operísticas que inclusive influenciaram muito o Queen, o  seu vocalista Brian Connolly, era muito mais cultuado no Reino Unido que Robert Plant, merecidamente. Gene Simmons do Kiss afirmou que sem o The Sweet não existiria o Kiss. Axl Rose os colova dentre seus favoritos assim como Joey Tempest do Europe e os caras do Helloween. O Saxon fez uma Cover de “Set Me Free” de 1973, que considero primeiro Speed Metal da história.

Com vários primeiros lugares em toda a Europa, Austrália, África do Sul e nos Top Five nos EUA, o The Sweet era um grupo gigante em termos comerciais e sua sonoridade em termos de timbres quentes de guitarras, arranjos elaborados, vocalizações complexas, virtuosismos e super cantor chamavam a atenção, porém o grupo rapidamente entrou em decadência e caiu no esquecimento. 

Aqui a pedrada “Set Me Free”:

A incrível “ópera rock” com arranjos elaborados, vocalizações e timbres sofisticados. O The Sweet estava à frente em termos de produção, peso e timbres:

Para o meu gosto, esse é o topo da banda em termos artísticos, um disco incrível e essa faixa é uma obra de arte da música pesada. Grandes riffs, vocais incríveis, e no meio, um instrumental insano, onde o baterista Mick Tucker mostra que não só de John Bonham e Ian Paice a bateria do Rock vivia:

É só ouvir essa faixa composta em 1973, lançada em 74, para perceber a força da banda na época, além do visual super inovador:

 UFO – Lançada como uma banda psicodélica, o UFO estava mal das pernas até incorporarem o prodígio guitarrista Michael Schenker, irmão de Rudolph Schenker, ambos fundadores do “Scorpions”. A banda então iniciou uma sucessão de grandes álbuns de rock, super empolgantes, baladas tocantes e arranjos orquestrais. A banda influenciou e é citada frequentemente por Slash, pelos caras do Europe, Def Leppard, Metallica, e Iron Maiden. Steve Harris aparece em vídeos afirmando o quanto sua postura e visual foram influenciados por Pete Way e “Run to the Hills” tem a levada “cavalgada” de “Light’s Out”). O UFO estava a caminho da glória quando Michael abandonou o barco e a banda caiu no esquecimento. Michael é um capítulo à parte, que merece uma resenha no futuro. Seu timbre grandiosos, lírico, poético,  riffs monumentais, fraseados ora safados do rock, ora clássicos com forte acento Erudito e que levaram milhares de garotos espinhentos e furiosos a chorarem como uma menina apaixonada, iniciaram um movimento nos EUA.

O longo solo na sessão do meio é um dos grandes momentos da guitarra Rock:

A banda foi também soube fazer grandes baladas, com lindos solos líricos e dramáticos de Schenker, recheados de timbres poéticos e frases de cortar o coração:

Sobre o autor:

Jacques Finster iniciou sua carreira musical aos três anos de idade, cantando na rádio no programa do saudoso Clésio Búrigo. Teve várias bandas, trabalhos solo, lecionou e produziu eventos culturais. Teve um programa de variedades na Net e foi colunista do jornal “A Tribuna”. 

Confira seu trabalho solo “My World” em youtube.com/@jacquesfinster6212

Ver mais em Programas

WHATSAPP 92FM!
+55 48 98441-0010