Alesc encerra sessão especial pelos 20 anos da Lei das APAEs, com emocionado discurso do deputado Julio Garcia

Alesc encerra sessão especial pelos 20 anos da Lei das APAEs, com emocionado discurso do deputado Julio Garcia

Matéria por Diego Macan – Rádio Araranguá

A sessão especial realizada na noite desta segunda-feira, dia 24, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, marcou as comemorações pelos 20 anos da Lei 13.633/2005, legislação que garante repasse financeiro contínuo às APAEs do Estado e é considerada um divisor de águas para o movimento. A lei, de autoria do deputado Julio Garcia, foi relembrada em um discurso carregado de emoção, reconhecimento e memórias que marcaram sua criação.

Julio Garcia iniciou sua fala agradecendo a presença dos colegas parlamentares e reforçando o sentido de união em torno da causa. “Dia de hoje é em homenagem a todos vocês que escrevem todos os dias uma história maravilhosa de inclusão e de ação social nesse nosso estado exemplar”, afirmou.

Em seguida, citou nominalmente diversos deputados presentes e destacou. “Quero dar o meu testemunho a todos os presentes do tanto quanto vocês ajudam a fazer com que a Assembleia seja cada vez mais preocupada com a inclusão”.

O início de tudo

O parlamentar relembrou o momento decisivo que o levou a conhecer de perto a realidade das APAEs. “Tudo começou, Leonete, por tua causa. Foi a Leonete Batof que lá em São Martinho, eu confesso pra vocês que não sabia o que era APAE. Não sabia o que era deficiência”. Ele contou que, durante uma visita ao município, foi praticamente conduzido pela então presidente da entidade. “Ela literalmente me pegou pelo braço e me disse: ‘Hoje você vai conhecer a APAE de São Martinho’. E foi ali que tudo começou”.

Ao visitar outras unidades, Julio percebeu as dificuldades enfrentadas. “Uma com o telhado chovendo, a outra com cupim no forro, a outra precisando do muro, a outra não tinha carro para transportar os alunos. Eu comecei a ajudar individualmente, mas era a mesma coisa que enxugar gelo”. Segundo ele, as APAEs precisavam de segurança financeira e recursos fixos mensais.

Momento inesperado

O deputado explicou que a solução surgiu em um momento inesperado, quando assumiu interinamente o Governo do Estado por 12 dias, a convite do então governador Luiz Henrique da Silveira.

“Acredito que tenha sido uma coisa divina, porque eu não tenho capacidade para tanto”, disse. Ele relatou a conversa em que apresentou a proposta de alterar o Fundo Social para destinar 1% da arrecadação às APAEs. “O Eduardo achou a ideia maravilhosa, e o Luiz Henrique, com aquele jeito generoso, aqueceu”.

Garcia destacou o papel fundamental da ex-presidente da Federação das APAEs, Rosane, na mobilização do movimento e na construção da lei. “Ela ajudou a mobilizar o movimento apaiano, nos sensibilizar e surgiu a lei das APAEs, que eu não imaginava, nem nos melhores sonhos, comemorar aos seus 20 anos”.

O deputado reforçou que, embora muito tenha sido conquistado, ainda há avanços necessários. “Resolvemos tudo? Não, o movimento apaiano precisa mais. É preciso que as políticas sejam de Estado, e não de governo”. Ele defendeu a proposta de integração do Programa Gente Especial com a legislação das APAEs para garantir mais estabilidade e menos burocracia.

Em seu discurso, Julio chamou atenção para o crescimento dos casos de autismo e a necessidade de políticas públicas mais abrangentes, citando iniciativas como a “Cidade do Autista”, em Criciúma. “Esse tipo de política pública é que nós precisamos”.

Evolução dos investimentos

O deputado apresentou números que demonstram a evolução dos investimentos. “No primeiro ano, em 2006, foram repassados R$ 5.374.000. Em 2024, R$ 279 milhões. E de 2006 até 2024, R$ 940 milhões. Imaginem o que seria das APAEs se não tivessem esse recurso”.

Julio também agradeceu à autora do livro comemorativo dos 20 anos da lei, Juliana Vinhas, que percorreu o Estado coletando histórias. “Esse livro vai tocar fundo na alma de muitas pessoas”, afirmou.

A fala terminou com uma mensagem emocionada, inspirada na música interpretada por Lucas, cantor da Alesc. “Daqui só se leva o amor”. E finalizou com um conselho ao governador Jorginho Mello. “Não deixe passar o seu mandato sem deixar a sua marca no movimento”.

A sessão encerrou uma noite de homenagens, memórias e reafirmação do compromisso com a inclusão e com o fortalecimento das APAEs de Santa Catarina.

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